Luis de la Orden Morais
Este artigo discute alguns mitos sobre marketing e otimização para buscadores (MOB) presentemente encontrados na web brasileira.
SEOque
otimização para buscadores.
description e keywords são importantes para os grandes buscadores.SEOque
otimização para buscadoresporque é mais curto e não nos coloca em uma posição aonde temos que utilizar todos os sinônimos para buscadores na Língua Portuguesa (aparelhos, motores, mecanismos e páginas de busca).
Questionável.
SEO é a abreviação de search engine optimisation, que por sua vez se traduz muito bem no Português como otimização para mecanismos de busca. Usar o termo SEO significa introduzir mais uma palavra-chave competindo com todas as variantes em português por um espaço já diminuto. A economia pretendida no uso desta abreviação inglesa é falsa e não se baseia no que os usuários realmente pensam e falam, mas no que o profissional imagina ser o termo mais sofisticado ou curto.
Uma pesquisa no Overture revela que os usuários no Brasil usam os termos buscador
e site de busca
mais frequentemente. Logo, qualquer termo em português que utilize estas palavras terá melhor vantagem em alcançar o público brasileiro tanto em nível lingüístico quanto nas próprias buscas.
Igualmente equivocado é chamar a otimização para buscadores de otimização de sites
. Otimizar um sítio é na verdade torná-lo mais acessível, usável e leve, podendo incluir ou não otimização para aparelhos de busca.
Na tentativa de criar um termo mais curto e fácil de abreviar, alguns profissionais passaram a utilizar o termo marketing e otimização para buscadores abreviando-o como MOB
. Webalorixá considera estes excelentes*.
O único questionamento em relação ao uso do termo MOB é que aglutina duas áreas cada vez mais distintas na área de encontrabilidade: otimização para buscadores e marketing em buscadores. Enquanto na otimização (para buscadores) o web designer trabalha com elementos dentro da área de codificação, administração de sítios e outras funções; na área de marketing em buscadores, o trabalho envolve entre outras responsabilidades: gestão de campanhas, orçamento, análise estatística e redação. Estas áreas em alguns sentidos se sobrepõem, chegando até a utilizar técnicas e práticas comuns, entretanto suas aplicações são bastante distintas. Isto não desqualifica o termo, mas ressalta a necessidade de um bom gerenciamento de expectativas e conscientização do cliente.
Parabéns para os que cunharam o termo e o tornaram ainda menor e mais linguisticamente acessível que sua versão em inglês SEO/SEM
.
Notamos que algumas companhias apesar de utilizarem o termo MOB, descrevem a área como marketing e otimização em buscadores por sugestão das próprias páginas de ajuda a desenvolvedores de Google. As únicas pessoas que podem fazer otimização em buscadores, são os programadores de Google, Yahoo, MSN e buscadores em geral. O profissional de MOB faz otimização para buscadores não em buscadores.
Para saber mais porque você não deveria confiar tanto nas sugestões de termos em Língua Portuguesa de companhias sem uma política de contextualização cultural e lingüística séria leia o artigo o dia que a indústria de SEO
desapareceu.
(Nota do editor: os comentários referentes a este mito foram revisados por um de nossos leitores. Veja caixa de comentário do leitor Marcelo Sant'Iago, do blog Poucas e Boas, logo abaixo.)
Não no Brasil.
Cerca de 80% a 90% dos usuários de internet no mundo anglófono usam um motor de buscas constantemente ou em algum ponto durante a navegação.
No Brasil, este número cai para 20,81%* apenas, segundo os dados que foram coletados e divulgados em 2005 pelo Comitê Gestor da internet do Brasil na pesquisa sobre o uso da internet no País.
Esta queda no uso de um serviço tão essencial quanto o de pesquisa e buscas é um reflexo dos problemas de acessibilidade lingüística e ineficiência dos buscadores no Brasil de trazerem resultados puramente em Português.
Atualmente, usuários brasileiros necessitam selecionar seu próprio idioma antes de realizarem uma pesquisa, caso contrário, a depender do termo buscado, serão surpreendidos por uma enxurrada de termos em diversas línguas. O mesmo não ocorre para os usuários falantes do inglês os quais recebem resultados em sua língua nativa automaticamente.
Deparei com seu belo artigo hoje.
Todavia, tenho um comentário sobre o Mito 1: 20,81% é a porcentagem de pessoas que declaram usar um mecanismo de busca de informação. Porém, a pesquisa do IBGE citada mostra que 80,96% dos usuários brasileiros usam a web para buscar informações e serviços online. E desses, 36,64% a usam especificamente para procurar informações sobre bens e serviços.
Afora isso, pesquisas do Ibope mostram altíssima penetração dos buscadores na internet domiciliar, a ponto do Google hoje ser a propriedade mais visitada do país.
Sua conclusão, apesar de bem colocada, pode ser bastante questionada.
Cordiais saudações,
M.S.
Errado.
Muito embora o cadastro de seu site em um milhão de buscadores pode lhe ajudar a indexar sua página em um motor de buscas na Polônia ou Japão, é uma perda de tempo e tão verdadeiro à promessa de sucesso quanto aquele e-mail que você recebeu de um ex-funcionário do governo nigeriano com alguns milhões emperrados no banco.
Um número grande de visitantes de outros países apenas ressalta o fato que talvez o seu sítio não esteja alcançando o público correto, em alguns casos pode acabar diminuindo o valor de seu sítio completamente se, sendo em português, acaba trazendo muito mais visitantes estrangeiros que do Brasil e mundo lusófono. A palavra de ordem hoje em dia é tráfego qualificado ou direcionado.
No presente cenário mundial, a maioria dos buscadores no mundo falante do Português pertence ou é alimentada por Google e Yahoo. Muito embora eles possuam suas páginas de cadastramento, quem realmente decidirá se sua página será indexada, ou seja, copiada para dentro do servidor do motor de busca, ou não, são os programas indexadores destas empresas. Estes programas também são conhecidos como robôs, (bots).
Estes programas varrem a internet em busca de páginas novas para serem indexadas e também para conferirem mudanças no conteúdo das páginas já indexadas. Os robôs analisam sua página e decidem se ela atende a uma série de critérios para ser indexada. Uma vez copiada para seus servidores, uma série de algoritmos julgarão sua página individualmente e a posicionará nas páginas de resultado, conforme as palavras-chaves encontradas que satisfaçam à pesquisa de um usuário.
A estratégia correta para pesquisar palavras-chaves não é só competir pelas mesmas palavras que o seu concorrente, mas principalmente saber quais as palavras chaves que os seus usuários utilizam.
Você pode ser o número 1 nos resultados de busca por tetsukabuto
, entretanto se o seu sítio é de uma venda de hortaliças, provavelmente seus clientes procurarão o termo acima pelo nome popular abóbora japonesa
. Se você for um fornecedor de sementes para agricultores, o nome técnico abóbora tetsukabuto
poderá ser o mais buscado por seu público-alvo.
description e keywords são importantes para os grandes buscadores (Google, Yahoo e MSN). Através destas os motores de busca encontram minha página mais rápido e a posicionam mais acima de outras nos resultados.Completamente errado.
Buscadores como MSN, Yahoo e Google ou não dão a mínima para seus metadados ou os utiliza apenas para fins de referência depois de constatar que sua página realmente oferece qualquer conteúdo. Os metadados não influenciarão o posicionamento de seu sítio nas páginas de resultados, nem mesmo ajudarão na indexação das páginas do seu sítio.
O que contará serão as palavras-chaves que aparecerão no dito texto da página, no atributo alt das imagens, no título da página e até o uso de palavras-chaves na url, entre vários outros fatores.
Então, é uma perda de tempo escrever metadados para cada página? NÃO!
Os metadados são úteis para o usuário humano, pois oferecem a este uma pequena descrição do conteúdo, o que será útil para atraí-lo a visitar as suas páginas. Além do mais são exigidos pelas Leis de Acessibilidade de Conteúdos On-line e contribuem para a usabilidade de sua página. Eles também podem ser bastante úteis para a catalogação do seu site em diretórios editados humanamente com o DMOZ e os diretórios do Yahoo.
A primeira coisa que precisa ser definida aqui é a diferença entre orgânico e pago.
Uma busca orgânica é uma pesquisa iniciada por um usuário humano interessado em resultados não pagos; um resultado orgânico é o posicionamento natural de sua página em função de uma palavra-chave ou conjunto de palavras-chaves buscadas por um usuário humano, ou mais simplesmente, como sua página aparece sem ter que pagar.
Um resultado pago é um processo de marketing em aparelhos de busca (SEM, search engine marketing), no qual você paga ou leiloa uma quantidade fixa de centavos por clique ou por impressão de página, nas áreas da página de busca reservadas para anunciantes.
Note que pesquisa ou resultado orgânico não é o contrário de pesquisa ou resultado pago pois páginas empresariais e comerciais aparecem em resultados orgânicos também.
Agora que temos isto esclarecido, a resposta é que você pode gastar milhões e milhões de reais em campanhas de marketing em buscadores, comprar todas as palavras-chaves do mundo para ser o primeiro nas buscas pagas e ainda assim a sua posição nas buscas orgânicas das mesmas palavras-chaves não sofrerá nenhuma mudança positiva ou negativa.
Errado.
O processo de seleção, indexação e posicionamento de uma página depende de como o algoritmo do buscador julga a relevância (importância) de sua página ao oferecer informações acerca de um termo pesquisado. Como dito acima, o metadado keywords, oferece pouco ou nada em relação a fazer com que sua página seja encontrada ou posicionada nos grandes buscadores (MS-Yahoogle), muito embora seja importante para funções de acessibilidade e categorização de informação usados em diversos sistemas.
Agora se estamos falando acerca de palavras-chaves no texto, título ou no atributo alt das imagens, então isto sugere que você está completamente equivocado sobre o que é uma palavra-chave e sua função.
Não existe palavra-chave que seja melhor que outra. Jerimum e abóbora podem ser a mesma coisa para você e uma delas pode até ser a palavra mais usada em sua região, entretanto quando alguém faz uma busca por jerimum
, somente páginas que tenham a dita palavra aparecerão nas páginas de resultados de busca.
Parcialmente correto, perigosamente incorreto.
Se você quiser saber, de fato o seu sítio será mais rapidamente encontrado e indexado por Google e outros buscadores se um outro sítio com um posicionamento de página (page rank) já definido por Google entre 1-10 estiver ligando ao seu com um link.
Quanto maior a classificação mais credibilidade o sítio que está lhe indicando terá para validar sua página como material indexável. Há casos em que basta que o sítio indicador apenas esteja indexado (já que posicionamento de página só é dado por Google dentro de um período cíclico de meses) para fazer com que os buscadores encontrem suas páginas.
Um link vindo de outro sítio pode significar a sua entrada para o índex dos buscadores, entretanto só lhe adicionará posicionamento se o seu sítio estiver dentro da mesma área de interesses e assunto do sítio que está lhe indicando. Se o seu sítio é sobre abóboras e o link indicador vem de um sítio indexado ou mesmo já posicionado cujo assunto é bicicletas, você será encontrado e muito provavelmente indexado, mas por estar fora do assunto não receberá pontos de posicionamento pela indicação.
Google, por exemplo, considera cada link externo para seu sítio como um voto a favor da popularidade de seu conteúdo. Entretanto, os algoritmos deste buscador só consideram um voto como totalmente eficiente (ou seja, um que indica e dá posicionamento) quando ocorre entre sítios dentro do mesmo assunto.
Também existe a questão que meios on-line como blogs, fóruns e informações de SRS (RSS) são classificados como menos importantes que sítios mais tradicionais na hora de indicar outras páginas. Uma vez mais, eles podem ajudar os programas indexadores a encontrarem sua página, mas não terão nenhum efeito em seu posicionamento (page rank).
O grande problema com os links externos adquiridos através de programas de trocas de links é que na maioria das vezes estes programas estão cheios de gente na mesma situação que a sua e oferecem pouco mesmo em relação a apenas indicar sítios para serem indexados.
No momento que você depende exclusivamente da troca links com outros através de programas de troca de links e os sítios para os quais você está ligando se envolvem em práticas proibidas de MOB como manipulação de conteúdo a depender do IP, abuso de palavras-chaves (spam) ou qualquer outra prática que vise enganar os algoritmos dos buscadores, sua página também poderá cair do cavalo e entrar no camburão. Logo, saiba para quem você está ligando e caia fora de programas de troca de links cujos sítios participantes parecem estar envolvidos em algo tecnicamente proibido ou cujas páginas são pobres em conteúdo.
Mais pode ser escrito acerca do que é dito na web brasileira sobre marketing e otimização para buscadores, entretanto os mitos discutidos acima parecem os mais prevalecentes nos sítios brasileiros.
Vale ressaltar que a área de MOB varia constantemente graças às constantes melhorias que os aparelhos de busca fazem ao seu algoritmo para garantir que os resultados de busca reflitam as necessidades do mercado e em certa extensão às necessidades dos usuários. O que é dito hoje poderá ser completamente diferente em alguns meses.
A melhor estratégia, entretanto, continua sendo a utilização de HTML semântica e acessível e se desviar de práticas que visem manipular os motores de busca, mantendo-se centrado nos usuários sempre.
Luis de la Orden Morais é baiano de Salvador e reside no Reino Unido aonde é consultor e projetista de interfaces de usuário em projetos comerciais on-line.
Anteriormente trabalhou para o jornal catalão La Vanguardia Digital, em Barcelona. No Reino Unido trabalhou para Nortel Networks, Cisco Systems, Woolworths e LoveFilm, a maior empresa Européia de aluguel de DVDs pela internet.
É pós-graduado, com Distinção, em Gestão de Projetos de Nova Mídia, pelo Birkbeck College, University of London.
© Foto, Luis de la Orden Morais, 2006.