Flash e otimização para buscadores: uma abordagem moderna.

Geoff Stearns, Deconcept.

Sumário

Este artigo discute brevemente a função do Flash dentro dos padrões da web e indica maneiras de tornar o conteúdo em Flash acessível para buscadores e seus robôs, dentro das boas práticas de desenvolvimento e design mais atuais para a web.

Muito embora fale acerca da otimização de conteúdos em Flash para buscadores, as dicas aqui publicadas servirão para aumentar a acessibilidade de sítios em Flash também para seres humanos.

Este artigo é uma tradução autorizada do original em inglês, A Modern Approach to Flash SEO, por Geoff Stearns.

Otimização para buscadores é um dos assuntos mais discutidos quando micreiros sentam para conversar acerca do Flash. E aí? Google indexou seus swfs? é a pergunta mais feita, geralmente produzindo respostas que vão desde sim ou não ao talvez. A resposta que realmente importa de uma vez por todas é só uma:

Não importa.

Para entender a resposta acima é necessário entender o que é Flash. Para isto, você precisa entender a filosofia de desenvolvimento para a web de hoje em dia. Primeiro você precisa aderir aos padrões da web. Usar código semântico, assim como separar conteúdo, aparência e funcionalidade, deve ser a única maneira de fazer sítios atualmente. Muitos estandardistas da web têm recomendado este método há anos, muito sabiamente. Entretanto, este artigo não tem a função de explicar as razões para adotar os padrões da web, logo irei pular esta parte e apenas mencionar o que importa. Existem três áreas específicas no desenvolvimento de interfaces de usuário na web: conteúdo, aparência e funcionalidade. Mantenha estas três áreas separadas, sempre que puder.

O que nos traz à pergunta: em qual destes três pilares no método de desenvolvimento para a web o Flash se encaixa? Seria conteúdo? Seria funcionalidade? Ou design? Muito embora possa ser considerado como todos os três, a maioria dos profissionais de desenvolvimento em Flash deixará o conteúdo fora dos movies do Flash e o carregarão usando a tecnologia de acesso remoto do Flash ou arquivos XML, o que nos deixa apenas com as opções design/aparência e funcionalidade.

A aparência é trabalhada com o uso de CSS. Geralmente quando você adiciona imagens ao seu HTML para fins puramente visuais (ou seja, sem texto ou conteúdo nelas), você o faz através de CSS. Na maioria dos casos, você não quer que Google os indexe, pois ninguém faz buscas por canto_redondo_superior_esquerdo.gif. O que as pessoas estão buscando é conteúdo. Mesmo se Google atualizasse seus robôs para que eles passassem a ler arquivos CSS e indexassem as imagens referidas nos seus estilos, esta informação, provavelmente, só seria útil para fins estatísticos.

A funcionalidade é geralmente adicionada através do JavaScript. Quem sabe você queira que uma janela se abra em um tamanho específico, ou, pretenda utilizar um pouco de Ajax para que seus usuários possam mudar elementos da página dinamicamente sem ter que recarregar a página. Tudo isto deve ser usado na página de forma não-intrusiva para que caso o navegador não entenda JavaScript, sua página funcione de qualquer modo. Infelizmente, nem todo desenvolvedor ou designer leva isto em consideração, mesmo diante do fato que o JavaScript tem se tornado, cada vez mais, um artigo de primeira necessidade em sítios da web. Logo, você sempre tem que oferecer algum tipo de alternativa para usuários que não tenham JavaScript habilitado. Google, durante o processo de indexação de páginas, não indexa arquivos JavaScript. Mesmo se os indexasse, a maioria dos usuários não teriam a mínima idéia sobre qual seria realmente a função do tal arquivo. js serviria. Se você usa funções de JavaScript para modificar o seu documento, esteja atento que Google não verá a página final, apenas o código HTML nu e cru, pois não interpreta JavaScript.

Agora que você sabe disto tudo, chegou a hora de vermos como tratar o seu conteúdo em Flash. Uma vez que já decidimos que não queremos que Google indexe os nossos arquivos swf, mas queremos que o conteúdo visualizado através deles seja indexado, qual seria a melhor maneira de alcançar isto?

Como dito anteriormente, se você cria sítios em Flash profissionalmente, é provável que você já tenha o costume de deixar todo o seu conteúdo fora do movie do Flash e inseri-lo em um arquivo XML, ou, costuma deixá-lo disponível em um banco de dados. Desta maneira, fica muito mais fácil para Google indexar o seu conteúdo através de melhorias progressivas.

Melhoria progressiva é o método de desenvolvimento para a web que complementa os padrões da web. Primeiro se faz o HTML (seu conteúdo), depois se adiciona a folha de estilos (o seu design e aparência), e, por fim, se acrescenta a funcionalidade extra (JavaScript, Ajax, Flash e qualquer elemento interativo que não seja nativo do navegador).

A melhor maneira de adicionar Flash progressivamente é através de JavaScript, ou mais especificamente, através de um script como o FlashObject. Primeiro você cria a sua página como se não fosse usar Flash. Se você está servindo conteúdo através de um banco de dados, pode produzir seu conteúdo como código HTML no lugar onde a animação em Flash apareceria na página. Alternativamente, você pode escolher apenas mostrar partes do conteúdo para Google, afinal de contas você decide qual conteúdo Google irá indexar. Então é só usar FlashObject para substituir o conteúdo em HTML pelo Flash, no caso do usuário ter JavaScript habilitado e a versão requerida do tocador do Flash (plugin) estar disponível.

Um pequeno exemplo do código:

<div id="conteudoflash">
Esta área é substituída pela animação em Flash se o usuário possuir a versão correta do tocador do Flash.
Coloque seu conteúdo em HTML aqui e Google o indexará como faz com qualquer página em HTML (simplesmente, por que é HTML!)
Use HTML e qualquer coisa que uma página HTML normalmente levaria.
</div>

<script type="text/javascript">
   // <![CDATA[
    var fo = new FlashObject("flashmovie.swf", "flashmovie", "300", "300", "8", "#FF6600");
    fo.write("conteudoflash");
    // ]]>
</script>

Este código faz com que Google ignore os arquivos swf e somente indexe o código HTML (o conteúdo!) que você colocou na página. Você pode colocar links para outras páginas, imagens e o que você queira que Google indexe, e quando um usuário com um navegador que entenda Flash acesse o seu sítio, ele verá o conteúdo em Flash. Esta abordagem tem a vantagem de predizer o que Google indexará. Se o seu conteúdo for servido a partir de um banco de dados e editado regularmente, suas páginas serão atualizadas e re-indexadas conforme o conteúdo é utilizado, sem a inconveniência de você precisar re-publicar todos os seus arquivos swf.

Notas e comentários do autor:

1. Atualmente Google não interpreta JavaScript em páginas HTML, mas um boato corre pela internet que eles estão desenvolvendo um robô baseado na tecnologia do Firefox (eles têm vários empregados da Fundação Mozilla trabalhando para eles). Este novo robô, supostamente, veria e indexaria páginas da mesma maneira que um navegador exibe páginas web ao invés de código HTML nu e cru. Isto significaria que o HTML escondido por estilos CSS poderia acabar não sendo indexado, e páginas modificadas por JavaScript, depois de carregadas serão indexadas conforme aparecem para o usuário. Entretanto, isto é um boato e, até o momento, Google ainda ignora conteúdos que aparecem dentro do Javascript.

2. Neste artigo, eu uso o nome Google com bastante freqüência, entretanto ele pode ser intercambiado pelo nome de qualquer aparelho de busca, já que eles funcionam mais ou menos da mesma forma.

Revisão, correção e consultoria lingüística: Paula Góes.

Sobre o Autor

Geoff Stearns e seu poderoso chapéu.

Geoff Stearns (pronunciado djéf istêrns), vive em Nova Iorque onde é Desenvolvedor Sênior de Aplicativos na Schematic. Ele adora mexer e brincar com Flash, XHTML, CSS e qualquer coisa que se refira ao mundo dos micreiros.

Geoff foi co-autor e editor de livros sobre Flash para Macromedia Press/Peachpit Press, New Riders e Friends of Ed, e é ativo no circuito de conferências sobre Flash nos Estados Unidos.

Mantém o interessantíssimo blog Deconcept, onde escreve acerca do Flash, padrões da web e outros temas atuais de desenvolvimento para a web.

 
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