SEOdesapareceu
Luis de la Orden Morais
Raul Seixas, Gitâ.Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
Engraçado como as coisas ocorrem nesta área de marketing e otimização para buscadores (MOB), um dia Webalorixá está chamando a atenção dos profissionais e colegas da área de web design e desenvolvimento na web para o fato que precisamos fomentar mais normalização lingüística técnica e procurar utilizar termos em português para sermos mais acessíveis ao nosso próprio mercado; no outro aquelas companhias estrangeiras que praticamente injetaram o mercado brasileiro com seus termos técnicos sem contextualizá-los ou ao menos traduzí-los se traem e acabam derrubando todo mundo junto com eles.
Veja por onde, enquanto redigíamos o artigo sobre os 7 mitos da otimização para buscadores, Google que em suas próprias páginas de informação a webmasters em português utiliza a abreviação SEO (Search Engine Optimisation) para descrever o que hoje já chamamos de MOB (marketing e otimização para buscadores) deu o melhor exemplo prático de que usar termos estrangeiros é a maior furada.
Os profissionais brasileiros e portugueses que incentivados por Google usavam SEO
para descrever sua área de atuação devem ter tomado o maior susto quando acordaram algumas semanas atrás e ao buscarem por SEO
em Google Brasil e Google Portugal atestaram que tanto em buscas na web quanto em língua portuguesa a partir da segunda página em diante os resultados eram em sua maioria esmagadora em gaélico irlandês (!).
Detalhe: os anúncios pagos de Google Adwords logo ao lado pareciam entender muito bem o que deviam servir, pois anunciavam perfeitamente companhias americanas de MOB.
Para comprovar se este foi um problema geral e experimentado por nuestros hermanos de fala castelhana também, eu fiz a mesma busca em Google Espanha, Argentina e Chile e nada estranho apareceu. Fiz a mesma busca em Google Irlanda e, surpraize, surpraize, confirmou-se que Google Brasil e Portugal trazíam mais resultados para a palavra seo
em gaélico irlandês, do que a própria página irlandesa de Google. Somos mais irlandeses que os irlandeses!
Desde a rolagem do centro de dados Big Daddy
os resultados em português parecem ter piorado ainda mais. Yahoo, que iniciou esta moda de colocar nosso próprio idioma em segundo plano e forçar nossos usuários a selecionarem português ao invés de serví-lo automaticamente, continua na sua tradição de misturar português e espanhol mesmo quando se seleciona resultados em língua portuguesa
.
Pois, como aqui estamos todos dançando salsa com chapéu de mexicanos na nossa capital Buenos Aires, o fato que da noite para o dia um dos principais termos usados por profissionais de MOB neste País (conforme sugerido por Google) desapareceu completamente, poderia marcar a quebra de um sub-setor da indústria da internet, a qual depende exclusivamente de aparelhos de busca para divulgar o seu trabalho.
Entretanto, como protesto o que se viu foi uma companhia após a outra silenciosamente colocando os seus serviços em Adwords para acabar competindo com os anúncios em Inglês que já apareciam em Google Brasil e Portugal. Pois, agora que algumas destas companhias de MOB investiram tempo e dinheiro em atochar a palavra SEO no mercado conforme recomendada por Google, elas vão ter que depender dos anúncios pagos mesmo ou fazer a coisa correta e confiar na sua própria língua na próxima vez que uma companhia americana sugerir um termo em inglês como o nome do seu ganha-pão.
A lição fica, ao consolidar e divulgar uma nova área tecnológica no Brasil e mundo lusófono que usemos os termos de nossa língua, pois quem depende de web design e MOB para viver não pode se dar o luxo de passar por estes imprevistos.
Entretanto, que não nos esqueçamos qual a língua falada por nossa população, pois se eles não puderem usar um aparelho de buscas no Brasil sem serem inundados com termos estrangeiros mesmo quando já passaram pela inconveniência de selecionarem sua própria língua (vai colônia!), esta área aqui já pode ser declarada natimorta.
Luis de la Orden Morais é baiano de Salvador e reside no Reino Unido aonde é consultor e projetista de interfaces de usuário em projetos comerciais on-line.
Anteriormente trabalhou para o jornal catalão La Vanguardia Digital, em Barcelona. No Reino Unido trabalhou para Nortel Networks, Cisco Systems, Woolworths e LoveFilm, a maior empresa Européia de aluguel de DVDs pela internet.
É pós-graduado, com Distinção, em Gestão de Projetos de Nova Mídia, pelo Birkbeck College, University of London.
© Foto, Luis de la Orden Morais, 2006.