Luis de la Orden Morais
A HTML semântica é o código de marcação HTML que identifica a hierarquia do conteúdo dentro do documento, ou seja, o que é um parágrafo, um cabeçalho, qual texto vem em negrito, os elementos de uma lista, etc…
A aplicação e uso da HTML semântica foram criados pelo W3C e como tal servem a um propósito que beneficia usuários em qualquer País e camada social, ajudando na categorização da informação e sendo a base de um código mais compatível com serviços da web e XML. Outros benefícios são sentidos na encontrabilidade dos conteúdos online nos buscadores.
É o padrão estabelecido pelo W3C. Sem discussões aqui.
Encontrabilidade é a parte do web design que cuida do posicionamente de páginas web em pesquisas feitas em um motor de buscas. Esta área é comumente chamada de marketing e otimização para buscadores (MOB), considerada um dos temas mais quentes do momento, gerando bilhões de dólares como uma indústria dentro da indústria da web no mundo inteiro.
Posicionar conteúdos para que possam ser encontrados nas primeiras páginas de resultados dos motores de busca virou prioridade número um de toda empresa que se preze nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
Entretanto, fora do mundo anglófono, a qualidade inferior de resultados servidos nos coloca em desvantagem. Aqui, os buscadores do estabelecimento MS-Yahoogle inventaram até três opções de língua e país e os resultados automáticos não são na nossa língua até o usuário selecionar a opção.
A área hoje sofre com um considerável número de profissionais autodenominados especialistas em otimização para buscadores sem nenhum preparo ou conhecimento de usabilidade, acessibilidade ou mínimo interesse pelos padrões web. Junte-se a estes fatos a especulação criada por este mercado no exterior e se entenderá porque em seus poucos anos de existência MOB começou a ser tema de comentários negativos na mídia tradicional.
Sim, invista nesta área para o seu próprio bem e o dos seus usuários, entretanto, a coisa segue avacalhada nos quesitos de acessibilidade, acessibilidade lingüística, usabilidade e padrões web, principalmente porque ainda é raro encontrar profissionais de MOB que pareçam ter um conhecimento global de desenvolvimento para a web, principalmente dos padrões web.
Pelo menos no exterior, é notável como um considerável número de profissionais sequer reconhecem que esta é uma área dentro do próprio web design, revolvendo ao redor do usuário, não dos motores de busca.
Hoje, grandes companhias on-line agregam uma enormidade de dados que através de XML podem ser extraídos dos seus bancos de dados e rearrumados em diferentes meios, dispositivos e estilos, criando serviços auxiliares. O exemplo mais antigo deste tipo de serviço são os teleimpressos de notícias que muitos designers utilizavam para criar a sensação de um sítio atualizado ao minuto com notícias fornecidas por um outro sítio de notícias.
Um exemplo mais moderno de um serviço da web é o serviço de inclusão paga do Overture. Ao se cadastrar neste serviço, os usuários são oferecidos a oportunidade de escolherem as palavras-chaves que querem anunciar. Se por exemplo você entrar a palavra "sapatos", Overture solicitará Yahoo todas as palavras-chaves relacionadas a "sapatos" que foram buscadas por usuários reais do Yahoo Brasil.
Estes são, na verdade, dados que estão armazenados em algum lugar do banco de dados de Yahoo, mas que graças ao uso de XML são servidos na página do Overture para demonstrar as palavras-chaves mais populares e quantas pessoas as buscaram.
Através de serviços da web, desenvolvedores poderiam manipular serviços já existentes como Submarino e criar lojas especializadas em um determinado produto e região geográfica com aparência visual própria, bastasse apenas que empresas como Submarino criassem e liberassem a sua IPA, interface para programação de aplicativos, para que desenvolvedores fora da companhia pudessem criar suas próprias variações.
O uso de serviços da web fica fora de qualquer julgamento, pois é uma evolução natural dos processos internos da web. Sua aplicação é ótima, pois os dados de uma companhia podem ser utilizados para criar serviços periféricos como sítios de comparação de preços que utilizam a IPA de vários revendedores, por exemplo.
Entretanto, a aplicação deste conteúdo depende da vontade e iniciativa dos revendedores de colocarem seus dados e IPAs à disposição. Talvez, o desenvolvedor brasileiro encontre mais destes serviços ocorrendo em nível de negócios a negócios (B2B) do que de negócios a consumidor (B2C) como ocorre em Países onde empresas como eBay, Amazon e Skype surgiram.
O ideal para nós seria que um número maior de pequenas e médias empresas se fixasse e fizesse negócios na internet, talvez através de serviços como centros de compras virtuais; um sítio de comércio eletrônico vendendo serviços e produtos de variadas lojas e empresas que não estariam normalmente na internet.
A SRS ou sindicância realmente simples (RSS) é uma tecnologia XML baseada no conceito de serviços da web e fornecimento de informação em demanda.
Funciona como um serviço que avisa ao usuário quando as informações acerca de um determinado assunto ou novos conteúdos de um sítio aparecem pela web, mas principalmente como meio de agregar as informações vindas de sítios no momento em que são postas no ar.
Com a SRS (RSS) o usuário não precisa mais ir visitar o seu sítio favorito para saber se ocorreram atualizações. As atualizações são comunicadas ao usuário.
Já existem softwares em desenvolvimento e uso que incorporam este serviço na funcionalidade de adição aos favoritos dos navegadores, o que definitivamente é muito mais usável que solicitar que o usuário comum baixe um programa específico.
Entretanto a SRS (RSS) continua um exemplo de uma grande idéia completamente avacalhada por falta de sensibilidade, usabilidade e contato do desenvolvedor de conteúdos com o seu público-alvo. De que vale colocar um botão laranja com o nome RSS ou XML no seu sítio quando o usuário comum provavelmente irá clicar e acabar sendo direcionado para uma página mostrando o código fonte do XML?
A SRS (RSS) não é algo que fizemos um esforço inteligente para tornar usável ainda. O software cliente da maioria destes leitores está em Inglês e quanto mais variedade de banners de agregadores em uma página, mais confusa a coisa fica.
Grande idéia que sofre com uma implementação geralmente exclusivista e não amigável para usuários comuns. Mais usabilidade e contato com usuários para se tornar algo realmente útil e usável fora da pequena comunidade de desenvolvedores e Internautas experientes que já usam este útil serviço.
Luis de la Orden Morais é baiano de Salvador e reside no Reino Unido aonde é consultor e projetista de interfaces de usuário em projetos comerciais on-line.
Anteriormente trabalhou para o jornal catalão La Vanguardia Digital, em Barcelona. No Reino Unido trabalhou para Nortel Networks, Cisco Systems, Woolworths e LoveFilm, a maior empresa Européia de aluguel de DVDs pela internet.
É pós-graduado, com Distinção, em Gestão de Projetos de Nova Mídia, pelo Birkbeck College, University of London.
© Foto, Luis de la Orden Morais, 2006.
Web 2.0: Compatível com o Brasil?
Web 2.0: Tecnologias
HTML semântica, serviços da web (web services), SRS (RSS).
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Taxonomia popular, microconteúdos, navegação emergente e relevante.
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Flickr e BitTorrent.
Web 2.0: o encontro da arrogância com a babaquice