Web 2.0 - especial

Web 2.0 – Compatível com o Brasil?

Luis de la Orden Morais

O que é a Web 2.0

Desde o número passado quando publicamos o que pensamos haver de errado com movimento Web 2.0, algumas pessoas nos escreveram para demonstrar sua opinião tanto contra quanto a favor da Web 2.0. Em nenhum e-mail entretanto pareceu que estes desenvolvedores, tanto de um lado quanto do outro, deixavam de ressaltar que reconheciam que havia uma diferença entre o movimento da Web 2.0 e as tecnologias.

Para aqueles que ainda não sabem, a Web 2.0, pondo bem simplisticamente, não é nada mais que uma listagem das tecnologias e métodos mais atuais e correntes no desenvolvimento para a web. Foi primeiramente compilada por Tim O’Reilly e ratificada por outros empresários americanos. Exemplos do que a Web 2.0 lista no seu corpo de pensamento são o uso dos padrões web, desenho em CSS, blogs, Google Adsense, sítios omeletes (mash ups) e Ajax, entre outros.

A Web 2.0 sinaliza que aos poucos o sentimento eufórico e experimental comum no meio de desenvolvimento americano na década de 90 parece estar voltando ao lar. É o próprio filho pródigo voltando para casa depois de haver gasto toda a sua fortuna e ter disputado comida com os porcos. Resta saber se o pai estará esperando por seu filho ou se o irmão mais sério que ficou para tomar conta dos negócios da família desta vez não vai enfiar uma faca nas costas dele antes mesmo de bater na porta.

Precaução é a palavra de ordem tanto para quem ficou quanto para quem volta, principalmente no contexto em que este movimento altamente apoiado por marketing empresarial de grandes companhias americanas surgiu.

Web 2.0 e seu contexto

O problema do movimento Web 2.0 (não das tecnologias que utiliza) é a falta de consideração a contextos fora da classe média americana e européia anglófonas. A Web 2.0 surgiu em Países onde a renda per capita alta mantém um mercado de internet vibrante. O Reino Unido, por exemplo, possui uma população de 50 milhões de habitantes, destes pelo menos 30 milhões conectados à internet e gerando bilhões de Libras a cada ano.

Nestes Países, computadores, telefonia e conexão de banda larga são muito mais baratos e todas as companhias oferecendo soluções tecnológicas falam o mesmo idioma que a população consumidora. Existe brecha digital, mas a cada dia mais e mais gente é trazida para dentro da internet através de outros meios de comunicação como celulares, TV, quiosques de informação e até pelo próprio telefone.

Signes Hoffos, professora de multimídia no Birkbeck College, University of London, costuma dizer que na hora de introduzir novos produtos e tecnologias no mercado deve-se dar um passo para trás e dois para frente, ou seja, ver o que já tem sido feito no mercado e adicionar algo. Dentro de um contexto brasileiro e latino-americano, mais importante ainda é saber onde está o mercado.

A matemática é simples, somos 180 milhões: um considerável número vive abaixo da linha da pobreza, logo acima uma camada ainda mais grossa de pessoas com um poder de compra razoável, mas limitado, vindo então uma classe-média que muitos julgavam não existir, e uma classe rica que logo ao começar já termina.

Em nossa realidade, uma renda per capita menor significa que necessitamos de mais gente utilizando a internet. Se você seguiu a matemática acima, você já deve ter chegado à conclusão que a expansão do mercado está na brecha digital brasileira; na economia composta por pessoas com poder de compra razoável e limitado, ou, o pobre ascendente.

Justo a classe que temos conhecimento nulo e não temos a mínima idéia de como incluir no mercado da internet, classe que as operadoras de celulares no Brasil fisgaram primeiro.

Entretanto existe luz no fim do túnel, leia a série de artigos do especial Web 2.0 para saber mais.

Sobre o Autor

O autor rabugentamente representado por seu filho.

Luis de la Orden Morais é baiano de Salvador e reside no Reino Unido aonde é consultor e projetista de interfaces de usuário em projetos comerciais on-line.

Anteriormente trabalhou para o jornal catalão La Vanguardia Digital, em Barcelona. No Reino Unido trabalhou para Nortel Networks, Cisco Systems, Woolworths e LoveFilm, a maior empresa Européia de aluguel de DVDs pela internet.

É pós-graduado, com Distinção, em Gestão de Projetos de Nova Mídia, pelo Birkbeck College, University of London.

© Foto, Luis de la Orden Morais, 2006.

Índice deste Especial

Web 2.0: introdução

Web 2.0: Compatível com o Brasil?

Web 2.0: tecnologias

Web 2.0: Tecnologias
HTML semântica, serviços da web (web services), SRS (RSS).

Web 2.0: conceitos

Web 2.0: Conceitos - I
Taxonomia popular, microconteúdos, navegação emergente e relevante.

Web 2.0: Conceitos - II
A web útil para computadores, o designer como um programador e conteúdo é rei.

Web 2.0: aplicativos e serviços

Web 2.0: Aplicativos e serviços - I
Wikipedia, blogs e Google Adsense.

Web 2.0: Aplicativos e serviços - II
Flickr e BitTorrent.

Publicado anteriormente sobre a Web 2.0

Web 2.0: o encontro da arrogância com a babaquice

Cartas enviadas

Veja: Web 2.0: Falta contextualização

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