Luis de la Orden Morais
Tornar a web mais útil para os computadores
Esta pérola da Web 2.0 vem de Jeff Bezos, CEO da Amazon. Entretanto não estaria na mão contrária se por agora a maior parte destas companhias globais Web 2.0 já tivessem resolvido a questão de servir conteúdos e microconteúdos de forma relevante e usável para seres humanos, principalmente para aqueles que não estão dentro do mundo falante do inglês.
Dentro de um ponto-de-vista técnico, esta é uma máxima que poderia trazer benefícios para todos os usuários já que uma web útil para computadores, onde uma comunicação mais fluente entre diferentes sistemas ocorre, seria a base de uma web usável para seres humanos. Por enquanto, esta base útil para maquinas só tem provado útil e razoavelmente usável para seres humanos que falam inglês e gozam do benefício de terem estes serviços já disponíveis em seu próprio idioma.
A idéia é boa quando leva em consideração a diversidade e variedade cultural e lingüística de todos os usuários da internet. Para nós o foco deve se manter no que queremos que uma web onde computadores se comuniquem melhor entre si resulte para nós como País emergente, falante do Português e com necessidades sociais distintas.
Eu realmente não sei o que Tim O’Reilly estava pensando quando proferiu esta máxima tão centrada em uma realidade primeiro-mundista.
Quem sabe ele só queria abrir os olhos dos designers e artistas gráficos que já era hora destes também comprarem livros técnicos de programação da... ...O’Reilly; ou apenas chamar a atenção para o fato já bem conhecido no Brasil que na hora do cinto apertar é bom saber fazer um pouco de tudo.
Se você já teve a oportunidade de ver ambientes de desenvolvimento para a web nas grandes cidades dos Estados Unidos e Reino Unido, terá notada a grande quantidade de indianos e paquistaneses empregados como desenvolvedores em Java e outras linguagens de programação. Você verá poucos nativos trabalhando em programação nestes países, entretanto os verá em funções de design gráfico e administração mais frequentemente que os asiáticos.
Países como a Índia, Paquistão e o Brasil (em menor escala) têm uma predisposição de se dedicarem mais aos elementos programáticos da internet que aos elementos visuais, produzindo muito mais programadores e desenvolvedores que designers gráficos.
Simplesmente não se encaixa à nossa realidade. Precisamos trazer mais artistas e designers gráficos para dentro da arena de desenvolvimento e emparelhá-los com desenvolvedores para termos um equilíbrio entre funcionalidade e aparência nos projetos desenvolvidos em nossa web.
Mesmo em países desenvolvidos já é difícil encontrar designers que programem de acordo com os padrões web, o que está gerando um reverso no mercado: sítios que antes eram seguidores dos padrões web agora estão revertendo para desenho com tabelas por falta de mão-de-obra qualificada.
Precisamos cobrir as bases antes de avançar neste jogo.
Sim, conteúdo sempre foi rei. Entretanto, a pergunta a ser feita é: o que é conteúdo? Um sítio com animações em Flash contém menos conteúdo que um outro que contém texto apenas?
Eu creio que quando este conceito foi criado, o que muitos destes tecnólogos tinham em mente foi afrontar aos sítios que pareciam possuir mais enfeite que conteúdo real.
Se formos por esta via é óbvio que existe uma razão por trás da idéia, o que realmente vale a pena ressaltar. Na década de 90, antes da bolha estourar, houve um surto de sítios cuja função resumia-se em demonstrar a habilidade gráfica do designer com Photoshop e Flash. Era a época das introduções com música repetitiva que obrigavam o usuário a esperar toda vez que se visitava um sítio. Alguns designers chegavam ao extremo de colocarem todo o sítio dentro de uma moldura (frame) para que o usuário não pudesse navegar o sítio sem antes ver a animação de entrada.
Entretanto, mais uma vez nos perguntamos, um sítio com fins experimentais artísticos cheio de animações em Flash não está servindo um conteúdo? Claro que está.
Dentro do meio da web temos que ter em mente que o conteúdo não se resume apenas a texto. Conteúdo pode ser qualquer coisa desde sons a imagens e animação.
Cremos que mais importante que determinar que conteúdo é rei, é determinar que conteúdo o usuário será servido. Se animações, albuns de fotografias ou galerias de sons, que o usuário seja esclarecido acerca da natureza do conteúdo de antemão, e que se possível outras formas de servir o mesmo conteúdo sejam providenciadas de acordo com os preceitos da acessibilidade.
Luis de la Orden Morais é baiano de Salvador e reside no Reino Unido aonde é consultor e projetista de interfaces de usuário em projetos comerciais on-line.
Anteriormente trabalhou para o jornal catalão La Vanguardia Digital, em Barcelona. No Reino Unido trabalhou para Nortel Networks, Cisco Systems, Woolworths e LoveFilm, a maior empresa Européia de aluguel de DVDs pela internet.
É pós-graduado, com Distinção, em Gestão de Projetos de Nova Mídia, pelo Birkbeck College, University of London.
© Foto, Luis de la Orden Morais, 2006.
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