Luis de la Orden Morais
O grande problema do Flickr é o próprio Flickr. Uma grande idéia, por sinal, que poderia ser mais acessível e pelo menos oferecer uma versão que funcionasse sem JavaScript. Adicione-se ao novo Flickr uma navegação consistente e que pelo menos ajude a usuários menos experientes encontrarem o que querem e voilá qualquer fotógrafo que não é apenas um web designer com uma câmera digital poderá utilizar também.
Flickr é o caso típico de soluções desenvolvidas por web designers se aventurando em áreas que não são a sua e sem perguntar a ninguém por lá o que realmente seria útil programar. A rotatividade é algo legal por garantir que qualquer foto tenha a chance de ser exposta e o público de ver quase tudo relacionado a um tema, mas falta tratamento para usuários com objetivos de navegação mais definidos.
Se o seu objetivo é vender fotos através de um serviço on-line, Flickr é o tipo de álbum que faz qualquer editor simplesmente desistir e voltar para sistemas tradicionais. Se você quer apenas postar as fotos de seus alunos públicos, Flickr garantirá que nem eles mesmos os encontrarão na segunda vez que visitarem o sítio.
Claro, sem versão em português ainda pior, muito pior.
Boa idéia que ainda não explorou melhor usabilidade e acessibilidade. As pessoas acabam se perdendo no sítio, se esta é a sua intenção, então ótimo, senão entre na fila daqueles que estão fora do meio digital e não entendem como Flickr funciona.
Hmmm, vejamos como irá este amor por BitTorrent quando O'Reilly descobrir que quase toda a coleção de seus livros está disponível para descarga através deste software.
Se existe um valor (legal) a ser ressaltado, tal reside na possibilidade de repartir com os usuários de uma comunidade a distribuição de arquivos que custariam caro guardar em um servidor de descargas de arquivos.
Quando utilizei BitTorrent pela primeira vez, confesso que sua interface de usuário, ou melhor, a falta de uma me deixou perplexo. Entretanto já existem no mercado soluções terceirizadas que adicionam uma interface à funcionalidade de distribuição e compartilhamento de arquivos neste software.
Luis de la Orden Morais é baiano de Salvador e reside no Reino Unido aonde é consultor e projetista de interfaces de usuário em projetos comerciais on-line.
Anteriormente trabalhou para o jornal catalão La Vanguardia Digital, em Barcelona. No Reino Unido trabalhou para Nortel Networks, Cisco Systems, Woolworths e LoveFilm, a maior empresa Européia de aluguel de DVDs pela internet.
É pós-graduado, com Distinção, em Gestão de Projetos de Nova Mídia, pelo Birkbeck College, University of London.
© Foto, Luis de la Orden Morais, 2006.
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